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Tatiane de Oliveira Tatiane de Oliveira

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Uma história de Amor

Título: Uma história de Amor Autor: Paiva Netto Número de caracteres com espaço: 2.881

Vou contar-lhes esta história porque quem disser que não quer ser amado está doente ou mentindo. Ela começa na Bahia, passa pelo Rio Grande do Sul e tem um belo desfecho em outro Rio, o de Janeiro. Por sinal, o meu velho amava bastante estes pagos. Em 27/1, meus pais, Bruno (1911-2000) e Idalina Cecília (1913-1994), se estivessem entre nós, completariam 68 anos de um casamento feliz. Peço licença a vocês para narrar-lhes o autêntico conto de amor que ambos viveram, modelo de perseverança e superação para os que se gostam. Eles se conheceram em Camaçari. Hoje, um dos mais importantes pólos petrolíferos do Brasil. Ele tinha 9 anos de idade. Ela estava com 7. Quando cresceram, a família foi contra o namoro por serem primos. Não que fossem pessoas ruins, contudo, pelo parentesco. Então, colocaram meu pai num seminário e mandaram minha mãe, ainda jovem, para o Rio de Janeiro. Passa-se mais de uma década quando meu velho, já sem batina, também vai para a Cidade Maravilhosa. Entretanto, não a encontra nessa primeira tentativa. Desiludido, viaja para o Rio Grande do Sul, depois de atravessar várias regiões do país. Longe de seu verdadeiro amor, volta ao Rio decidido a localizá-la.

Cupido famoso Certo dia, na capital carioca, o querido e consagrado compositor e cantor Dorival Caymmi, conhecido deles desde a infância, topa com seu Bruno e lhe diz, com seu sotaque bem baiano: “Ô Ioiô, você sabe quem encontrei? Idalina! Ela veio, com uma prima, aqui na Rádio Tupi. Está morando na rua Gregório Neves, no Engenho Novo”. Meu pai não titubeou e dirigiu-se ao endereço indicado por Caymmi. Chegando lá, foi recebido pela minha tia-avó, Amália. Ao vê-lo, ela se vira para dentro de casa e chama em alta voz: “Idalina, o seu primo da Bahia está aqui! Ele veio casar com você!” E um dado curioso é que, um mês antes desse reencontro, minha mãe terminara seu noivado forçado com um médico. Naquele tempo, o poder patriarcal era uma parada! Idalina e Bruno uniram-se em 1940, vinte anos depois que se viram pela primeira vez. Adivinhem quem foi o padrinho de casamento? Dorival Caymmi, privilegiado marido de Dona Stella Maris e ditoso pai de Nana, Dori e Danilo; e que sempre encantou as platéias. Observando o grande exemplo de meus amados pais, relembro, com Lícia, minha irmã, algumas palavras que publiquei em “Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade”, lançado em 1987: Assim como o sangue, circulando pelo corpo, oxigeniza e alimenta as células humanas, o Amor, percorrendo os mais recônditos pontos de nossa Alma, fertiliza-a e a torna plena de vida. (...) Ao término de tudo, ele — que se expressa das mais surpreendentes formas no sublime labor de conduzir os homens à sobrevivência — vencerá! Prosseguimos acreditando na vitória final do Ser Humano e seu Espírito eterno, a Obra Máxima do Criador, na definição de Alziro Zarur (1914-1979).

José de Paiva Netto – Jornalista, radialista e escritor. paivanetto@uol.com.br

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Última modificação: 10:35 03-03-2008

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